O tempo na contemporaneidade
Está com tempo? Está ocioso(a)?
Vivemos numa conjuntura em que seguimos um culto sem dogma em que a virtude é o utilitarismo. Deve-se saber produzir, saber aproveitar o momento, saber explorar o outro, num regime de valores análogo a uma religião promovendo práticas individualistas.
Nesse contexto, a vida passa a ser vivida como uma sequência interminável de tarefas das quais a finalidade já se perdeu de vista. Forma-se uma lógica moral que condena qualquer comportamento que fuja da ideia de produtividade constante e espírito empreendedor. O descanso deixa de ser visto como algo legítimo e humano e se torna gerador de culpa. Ter tempo livre parece uma falha moral, enquanto o controle e o aproveitamento do tempo assumem um valor ético, como se cada minuto precisasse ser justificado.
Entretanto, quanto menos tempo, mais empobrecimento psíquico, mais sentimento de desvalorização, maior tendência à depressão.
Tema abordado por Maria Rita Kehl no Encontro Latesfip (Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise) na USP em 02 de abril de 2016. Maria Rita Kehl é a autora de “O
tempo e o cão: a atualidade das depressões” pela Boitempo, entre outras obras.



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