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Ansiedade

  • Foto do escritor: Marcos Maia
    Marcos Maia
  • 12 de mar. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: 29 de mar.


ansiedade

Seria imprudente sinalizar aqui uma causa geral para a ansiedade, tendo em vista que os fatores disparadores se diferenciam de pessoa para pessoa, do mínimo ao mais elevado grau, em diferentes contextos e em suas mais diversas manifestações. Todos temos ansiedade, visto que nem sempre se trata de um quadro patológico.


É importante questionar o atual processo de patologização da vida (todo incômodo sendo entendido como doença) no âmbito do consumo de medicamentos psicofármacos. Porém, isso não invalida a noção de que numa sociedade acelerada, como atualmente, ocorra uma propensão maior ao padecimento em quadros de ansiedade e de depressão. Propensão esta resultante da falta de tempo para assimilar e elaborar experiências de abalo.


No caso da ansiedade vivenciada de modo excessivo, é possível entendê-la como uma manifestação a uma experiência expressada pela formação de sintomas.


A partir de uma experiência traumática, quando a representação desse trauma é reprimida da consciência, ocorre uma separação do afeto decorrente dessa experiência. Nesse mecanismo, os afetos são deslocados para algo, tal como o corpo, e a representação permanece inconsciente, recalcada.


A repressão da representação não é completamente efetiva por provocar assim uma excitação causando aflição e com isso a pessoa vai entrando em estados típicos, como uma sensação de alerta, uma necessidade de antecipar e/ou se prevenir de acontecimentos, entre outras manifestações.


Já o afeto proveniente pode ser deslocado para o corpo produzindo sintomas característicos. Esse deslocamento pode se voltar para o corpo, causando sintomas físicos; ou para ideias substitutivas, quando ocorre a neurose obsessiva gerando sintomas de repetição e sistematização de atos, o que a psiquiatria denomina como TOC (transtorno obsessivo compulsivo), por exemplo, para substituir a representação do trauma; ou pode ocorrer o deslocamento do afeto para o mundo com a paranoia; ou esse deslocamento pode ser direcionando para um objeto terceiro, no caso das fobias, entre outros.


Esse recalque da representação vai causando efeitos que decorrem em sofrimento, tais como episódios de medo, sentindo como se algo trágico estivesse por acontecer.


Fazendo uma analogia àquela angústia parcial que ocorre em situações cotidianas quando queremos dizer algo, mas nos esquecemos da palavra que gostaríamos de usar, pode-se considerar que os sintomas de ansiedade seriam equivalentes às metáforas que podemos utilizar para substituir o uso dessa palavra esquecida. Seriam como um sentido figurado substituindo a palavra esquecida que gostaríamos de usar numa conversa.


Também é válido destacar a seguinte condição: tendo em vista que a ansiedade é uma reação natural dos seres humanos, qualquer pessoa vivencia momentos de ansiedade ao longo do seu dia-a-dia. Portanto, para aquelas que já vivenciaram o que frequentemente se denomina como "crise de ansiedade", uma sensação de ansiedade pode remeter à experiência da crise e assim, a partir da memória sintomática e do significado atribuído a tal sensação, ser produzida a repetição do quadro relembrado como uma espécie de efeito placebo ao contrário. Não se trata aqui de uma lembrança da representação de uma experiência traumática que, em algum momento, se manifestou através dos sintomas, mas da lembrança dos próprios sintomas propiciando sua reprodução.


Um quadro severo de ansiedade por ser entendido como uma forma de linguagem não verbal para expressar uma experiência cujo sentido foi "esquecido", linguagem esta que pode automaticamente passar a "servir" como resposta a outras experiências.



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